Três investidores que teriam sido lesados pelo esquema bilionário da Unick Forex, desmontado pela Polícia Federal em outubro de 2019, relataram que passam por dificuldades financeiras, tiveram abalos psicológicos e agora têm de lidar com o temor do coronavírus. A matéria é do UOL.

Os três investidores fazem parte da Associação em Defesa dos Direitos dos Investidores da Unick Forex (ADDI). Um casal de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, diz ter começado investindo R$ 7.000 com a Unick, conseguindo saques mensais de R$ 2.400 por algum tempo. Os retornos animaram o casal, que decidiu vender sua casa e investir na Unick:

“Ficamos tão empolgados com o resultado positivo que vendemos nossa casa por R$ 130 mil, investimos cerca de R$ 57 mil na empresa e fomos morar de aluguel. Pelas nossas contas, iríamos receber cerca de R$ 15 mil ao longo de seis meses.”

A Unick, porém, não honrou os compromissos. Sem poder arcar com as despesas, a esposa virou motorista de aplicativo e o marido, que é ajudante de transportadora, também teve que trabalhar em jornada dupla, completando o orçamento como motorista também.

Todas as reservas do casal se esgotaram, eles tiveram que entregar o apartamento alugado e passaram a morar em um imóvel mais modesto. A crise do coronavírus, porém, impactou diretamente os rendimentos e a saúde de ambos:

“Além de todo perrengue financeiro, tive depressão, síndrome do pânico, fibromialgia, e há dias em que nem consigo caminhar”

Já a ambulante Laura Goes ganhou das filhas um investimento de R$ 1.000 na Unick. Nunca recebeu rendimentos. O dinheiro, apesar de baixo comparado a outras vítimas da empresa, faz muita falta a quem ganha a renda diariamente e não tem reservas nem poupança:

“Isso porque estou totalmente sem renda. A feirinha da Concórdia (SP), onde tenho uma barraca que vende blusinhas no inverno e roupa de praia no verão, está fechada desde a metade do mês passado [março] por causa da pandemia.”

Luz, água e aluguel da ambulante estão atrasados, já que com a pandemia ela não consegue nenhuma renda. Hoje, ela tenta solicitar os R$ 600 oferecidos pelo governo e aprovados pelo congresso federal através de um aplicativo da Caixa Auxílio Emergencial.

Outro investidor, Alcindo Herpich, de Novo Hamburgo (RS), foi convencido a investir na Unick no fim de 2018. Visitou a sede da empresa na cidade e diz que ficou impressionado:

“Quando cheguei lá, fiquei impressionado com a estrutura deles. Naquele mesmo período, também dei uma estudada sobre bitcoins e vi que valorizam bastante de um dia para o outro. Pensei, então, que receber um lucro de 1,5% a 2% por dia talvez pudesse ser uma nova tendência do mercado financeiro.”

Ele investiu R$ 600 na Unick no começo e recebeu o dobro em seis meses. Na metade de 2019, foi demitido dos restaurantes em que trabalhava como garçom e investiu R$ 8.000 da recisão na empresa:

“Pensei que, ao aplicar esse novo valor, poderia ter uma folga maior para procurar um trabalho”

Ele diz que nunca recebeu um centavo do investimento e não conseguiu novo emprego fixo, tendo que se dedicar a extras em restaurantes. Com a pandemia, viu-se sem renda e sem perspectiva:

“Fiz umas contas e cheguei à conclusão de que, contando com o coronavoucher prometido pelo governo, consigo sobreviver mais alguns meses. Em junho, no entanto, vou estar com cartões bloqueados, sem luz, aluguel atrasado e, provavelmente, com uma dívida de R$ 5.000. Se eu conseguisse reaver pelo menos esse valor, meu problema já estaria resolvido”

Ele diz que o isolamento social precoce é melhor do que passar por problemas de saúde no futuro:

“Acredito que, quanto mais cedo a gente deixar de circular, mais rápido a gente acaba com a transmissão do vírus e mais cedo poderemos voltar à normalidade”.

LEIA MAIS

Artigo

Deixe uma resposta