A conta do Twitter do site The Intercept publicou na última segunda-feira, 3 de fevereiro, uma matéria em que revela ligações da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e a suposta pirâmide financeira de Bitcoin AirBit Club, que teria feito uma série de vítimas no Brasil prometendo “enriquecimento rápido através do network marketing”.

Segundo o texto do The Intercept, a Igreja Universal cedeu os altares da congregação para que líderes da empresa, que é investigada pelo Ministério Público e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por estelionato, propagassem seu sucesso e patrocinassem eventos da Universal.

Na matéria, os repórteres Yuri Ferreira e Paulo Victor Ribeiro comparecem a um culto da IURD no qual um bisto teria repetido diversas vezes que “do lado de fora [da Igreja], estariam esperando oportunidades financeiras revolucionárias”. Ao saírem, foram interpelados por promotores da AirBit Club.

A empresa dizia ser o maior “clube de investimentos em criptomoedas do mundo” e já teria patrocinado uma equipe de automobilismo da Nascar em Guaralajara, México, em 2017. No Brasil, porém, ninguém sabe quem é o proprietário da AirBit Club ou sob qual CNPJ ela opera. Há relatos de que sua sede seja no Panamá, mas os jornalistas não puderam confirmar a informação.

Um dos líderes seria Gabriel Fonseca Reis, conhecido como “Garoto Bitcoin”, que teria levado seu “testemunho” para diversos cultos, além de ser apresentador do FutShow, um evento de esportes patrocinado pela AirBit Club e promovido pela Universal.

A Folha Universal, jornal da IURD, também deu espaço ao Garoto Bitcoin, que propagava seu “sucesso financeiro”. Antes da AirBit, Reis havia feito parte da empresa de marketing multinível Multiclick, que deve R$ 3 milhões à Receita e também é investigada.

Outra integrante da empresa seria Andressa Costa, que teria testemunhado para o próprio dono da Universal, Edir Macedo, em Miami (EUA).

Além dela, também faz parte da AirBit Club Gutenberg dos Santos. Ele e Gabriel Fonseca Reis foram condenados a pagar US$ 1 milhão pela SEC dos Estados Unidos por operar uma pirâmide chamada Vizinova e hoje estariam foragidos na Bolívia. Na Colômbia, a reguladora do país também proibiu a AirBit Club de operar.

Os três supostos líderes da AirBit Club teriam participado, juntos, de um jantar do braço filantrópico da Rede Record, de propriedade de Edir Macedo, o Instituto Ressoar, além de aparecerem em fotos de eventos ao lado de celebridades como Enzo Fittipaldi e Cafu. Eles também são os nomes mais citados em relação à empresa no Reclame Aqui. Já são dois anos desde o fim dos pagamentos aos clientes.

Apesar de todos os problemas legais e de reclamações de clientes, a AirBit Club segue operando normalmente no Brasil. Questionada pela matéria, a Universal negou qualquer relação com o jovem, disse que Gabriel Reis é um “frequentador” da Igreja e que o patrocínio da AirBit foi um “apoio pontual”.

Em um texto publicado pelo escritório de advocacia Hermida Maia no portal JusBrasil neste ano, apesar da AirBit Club ser investigada desde 2018, seus promotores seguem fazendo eventos e já reuniriam cerca de 2,5 milhões de afiliados, movimentando investimentos “na casa de trilhões de dólares sem que ninguém possa detê-los”.

Não é a primeira vez que a religião é usada para atrair investidores a investimentos duvidosos no Brasil. Recentemente, uma cliente desfalcada pela Genbit disse que investiu toda a poupança de seu pai na empresa porque “eram evangélicos”. Ela perdeu tudo, como noticiou o Cointelegraph Brasil.

Deixe uma resposta