Por que a competição pode dar fim à maioria das altcoins?

Por que a competição pode dar fim à maioria das altcoins?

A competição de criptomoedas

O Bitcoin deu início a um novo sistema monetário, que na verdade, não é tão novo assim. Bitcoin e altcoins, na verdade, remetem aos tempos em que a cunhagem de moedas era privada e altamente competitiva, como tão bem abordado por Hayek e Rothbard em seus livros. E isso é muito bom.

Na antiguidade, antes do Império Romano, chegamos a ter um sistema monetário com três moedas simultâneas que se complementavam, que foi o caso do ouro, prata e bronze. Mas antes disso, milhares de bens competiram até que esses três fossem selecionados naturalmente pelo mercado.

 

altcoins
História do dinheiro

Enquanto o ouro servia para grandes transferências de valores, a prata complementava o ouro servindo para pequenas transações, enquanto o bronze era utilizado como uma moeda para trocos.

Ou seja, haviam diferentes moedas de diversos cunhadores utilizando os mais variados tipos de metais preciosos, algo muito semelhante com o que temos hoje no mercado de criptomoedas.

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Moeda viking

Esse texto supõe que um dia as criptomoedas possam se tornar um sistema monetário alternativo ao que temos hoje, o do dinheiro fiduciário governamental. Vamos tratar ao longo do texto o processo de escolha de uma cripto e explicar porque poucas moedas resistirão a esse processo competitivo de escolha de moeda.

Se quiser se aprofundar ainda mais na história do dinheiro, veja nosso podcast, o Conexão Satoshi

Apenas um será dominante

Somente os melhores metais e moedas cunhadas serão selecionadas pelo mercado, não existe espaço para dinheiro ruim quando estamos em um cenário competitivo. Dinheiro ruim é aquele que não conserva seu valor com o passar do tempo. O mercado tende a escolher o melhor dinheiro com o passar do tempo, como sempre fez ao longo da história.

Dinheiro bom é construído com base na confiança e tradição. Além disso, ele deve ser divisível, servir como unidade de conta, fácil de transacionar e ter capacidade de conservar seu valor. O Bitcoin tem quase todos esses pontos a seu favor, ele é escasso, confiável e seguro e por conta disso, sai na frente nessa corrida.

O único ponto contra a criação de Satoshi seria a falta de capacidade de transação, o que compromete a facilidade e o preço das transações, no entanto, esse problema está em vias de ser resolvido no médio prazo e estará resolvido daqui a 5 ou 10 anos.

Dada a tendência de hoje, é possível que o Bitcoin se torne a moeda dominante no futuro. Talvez mais uma ou duas corram em paralelo para complementar esse sistema. Mas o certo é que a maioria das moedas que temos hoje vão seguir o caminho do cemitério das moedas.

Criptomoedas melhores

É possível que altcoins com tecnologia absolutamente avassaladora consiga superar o Bitcoin? Sim, é possível que uma moeda seja instantânea, sem taxas, que suporte smart-contracts e tudo mais que você possa imaginar. Contudo, é preciso alguns questionamentos sérios e desapaixonados: é centralizada? É segura? Qual o poder do criador sobre ela?

Criptomoedas não são uma rede social que você pode migrar a qualquer instante quando existe esse abismo tecnológico entre elas, como foi com Orkut e Facebook. Criptos são dinheiro e em relação a isso, o processo de transição acontece de forma muito diferente.

Como dito acima, dinheiro é tradição e confiança e, estabelecê-la em um sistema monetário pode levar algumas décadas ou até mesmo centenas de ano. Além disso, uma migração em massa para outro sistema monetário, quando muito abrupto, poderia causar um colapso econômico, então essa transição para uma tecnologia superior não vai ocorrer tão fácil assim.

Por causa disso, o Bitcoin só perderia seu status de rei em caso de um ataque comprometer a integridade da rede, tirando isso, ele ainda terá ampla vantagem mesmo não sendo o dinheiro mais rápido e mais tecnologicamente avançado. E sim, sendo um sistema de dinheiro simples e seguro.

Além disso, o Bitcoin pode se tornar superior tecnologicamente a altcoins com soluções na mesma linha do Segwit e transações offchain, que acontecem fora da rede principal, como a Lightning Network — que conseguiu dividir por 1000 um satoshi — o que aumenta sua capacidade de transação e divisibilidade.

Com a popularização da Lightning Network, pelo menos uma grande parte das moedas será extinta. Uma vez que o Bitcoin se torne rápido e divisível, não terá nenhuma razão para que essas moedas continuem sendo utilizadas. Porque a maioria dessas moedas se propõe a ser o que o Bitcoin não é hoje: rápido e escalável.

Por que isso vai acontecer?

Se uma economia tem muitas moedas como as altcoins correndo em paralelo, no mercado são mais de 1000, voltamos a condição de escambo. Comércios aceitariam apenas uma ou outra e isso causaria uma grande dificuldade nas transações. A não ser que seja criado um gateway de pagamentos que faça a conversão instantânea de uma moeda para a outra cobrando uma taxa.

Então o mercado naturalmente vai escolher a melhor moeda para ser o principal meio de pagamento. Mas ainda assim, caso o Bitcoin se torne uma moeda com transações baratas e rápidas, juntando a sua robustez de hoje, qual seria o propósito de ter outras moedas? 

Apesar de existir altcoins que ofereçam transações mais rápidas e mais baratas, só o Bitcoin foi capaz de provar sua robustez contra-ataques e adulterações, até agora. Seu blockchain até agora está intacto apesar de muitas tentativas de gastos-duplos, o que aumenta sua confiança.

Seu funcionamento é muito simples, sem maiores rodeios técnicos. Você dá poder computacional para a rede, aumenta a segurança dela, estabelece um consenso colaborativo e ganha uma recompensa. A rede não é atacada porque simplesmente não compensa, é melhor cooperar para ganhar mais dinheiro.

Não tem nenhuma utopia ou necessidade de se alterar a natureza humana, ninguém precisa ser bom e pensar no bem-estar social. Você age em benefício próprio e todo sistema ganha, exatamente como em uma boa economia capitalista.

Mas hoje existem centenas de moedas, por que não podem existir altcoins?

Sim, isso é verdade. Existem centenas de países e cada um possui sua própria moeda, mas isso não é necessariamente bom, porque nosso sistema se tornou burocrático e pior do que tinha antes. As moedas estatais eram cunhadas com lastro em ouro, sendo que cada uma delas representava uma medida em ouro. Por exemplo, suponha que um franco equivale a 5g de ouro assim como uma libra equivale a 10g de ouro.

Basicamente, o ouro era o lastro de todas essas moedas e poderiam ser facilmente conversíveis no metal precioso. Eu poderia fazer um contrato em libras, mas pagar os valores desse contrato em franco, por exemplo, bastaria estabelecer uma taxa de câmbio entre ambos. Ou seja, o Ouro ainda era a moeda mundial e utilizada como referência.

Contudo, esse sistema de lastro em ouro foi substituído pelas moedas fiduciárias nos anos 70. Agora cada país tem sua própria moeda, que deve ser obrigatoriamente usada por causa das leis de curso forçado. As pessoas não optaram por ter centenas de moedas, esse processo não foi natural.

Não é mais possível pagar impostos, fazer contratos e acordos com a moeda de outro país, o que torna mais difícil a negociação e prestação de serviços entre dois países. Nenhuma pessoa pode aceitar 150 moedas no seu estabelecimento.

A pessoa de outro país precisa converter sua moeda em uma casa de câmbio para então conseguir fazer transações. Na internet isso fica mais fácil, porque as conversões são quase que instantâneas, mas na economia real isso se torna um grande problema.

O caminho natural é o de escolher apenas uma ou poucas moedas. As pessoas escolhem a simplicidade, o que é facilmente constatável como olhamos o caminho que estamos seguindo hoje: o mundo digital.

Ninguém quer ficar em fila de banco, por isso os bancos digitais estão sendo escolhidos. Ninguém quer dificuldade para investir, por isso que existem mais pessoas cadastradas para comprar Bitcoin do que ações no Brasil. Ninguém quer pegar táxi, por isso escolhemos o Uber.

Conclusão

Dificilmente outras altcoins tomarão o primeiro lugar do Bitcoin. Não é só uma questão técnica, mas também uma questão monetária e econômica, nem sempre a que possuir melhor tecnologia vai tomar o posto de rei. Existe uma relação de tradição, segurança e confiança no ativo em questão.

Por muito tempo teremos uma sadia competição de criptomoedas, mas não existe uma razão plausível que leve a crer que teremos mais de 1000 altcoins circulando ao mesmo tempo. O mercado tende a escolher poucas moedas quando observamos a história do dinheiro. Pode ser que algumas moedas circulem alternativamente para complementar o Bitcoin e dar mais liquidez ao sistema, mas elas sempre ficarão relegadas à sombra da majestade do Bitcoin.

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