Pesquisador classifica cidades inteligentes de ‘contos de fadas’

O pesquisador bielorusso Evgeny Morozov, um conhecido crítico das tecnologias digitais, classificou as chamadas cidades inteligentes, que envolvem tecnologias disruptivas para solucionar problemas urbanos, não passam de “contos de fadas”. A informação é do UOL.

As cidades inteligentes incorporam tecnologias digitais como inteligência artificial, automação, blockchain e internet das coisas, prometendo gestão mais econômica e otimizada. Porém, lembra a matéria, a digitalização dos serviços também cria um gargalo, como aconteceu em consequência da popularização de aplicativos de entrega e de hospedagem.

Morozov, portanto, não é otimista quanto às chamadas smart cities e diz que “esse discurso que emana do Vale do Silício é muito utópico e mítico”. Ele diz:

“Dá para ver pela falta de imaginação dos governantes. Eles nem mesmo sabem que existe algo que podem obter das grandes companhias de tecnologia”

Ele também argumenta que o controle social a partir da digitalização está passando da sociedade para as chamadas “big techs”:

“Todos esses processos de responsabilidade política têm quase que desaparecido conforme repassamos a responsabilidade por quaisquer disfunções [sociais] para o setor privado. Em última análise, é a privatização de processos que antes eram políticos que me preocupa mais, exatamente porque acredito que apesar (e talvez até por detrás) dessa retórica de emancipação e de regulação que o Vale do Silício está de certa forma promovendo, há uma realidade de desempoderamento que basicamente nos trouxe uma indústria que se tornou grande demais para falir.”

Ele ainda defende que os governos têm de assumir o protagonismo do controle sobre dados e informações:

É essencial que os governos mantenham alguma habilidade para desenhar o mercado que gostariam de ter. Caso contrário, estarão à mercê dos mercados criados por essas empresas [de tecnologia], que são quase sempre e com frequência mercados completamente injustos, indecorosos, com preços obscuros, onde algoritmos definem o que será cobrado dos consumidores, em um formato que não beneficia os cidadãos e que não dá aos governos uma direção sobre que tipos de empregos encorajar.

Finalmente, ele diz que quem deve liderar a inovação não é o interesse privado, mas a população e o interesse público:

“Temos que recuperar a ideia de que a digitalização pode ter uma direção, um caráter e um ritmo diferentes, que não precise ser definido pelas empresas de tecnologia, mas pelo público.[…] As empresas de tecnologia nos liberam, emancipam e nos ajudam, mas elas o fazem de uma maneira bem predatória, de forma que a nossa emancipação acaba se tornando também a nossa escravização.”

E completa dizendo que seu sonho de “cidade inteligente” compreende “uma sociedade digital onde os cidadãos podem fazer o seu melhor, o que pressupõe que existem outras formas de fazer uso das tecnologias que sejam diferentes de ‘criar uma startup e pegar dinheiro com investidores”.

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