‘Open banking nos deixará brigar com os grandes bancos’, declara CEO do Nubank

O sistema de Open Banking que o Banco Central do Brasil deve implementar ainda este ano promete colocar em “pé de igualdade” fintechs e grandes instituições financeiras.

O novo sistema também pode ser um grande “aliado” das exchanges de Bitcoin e criptomoedas tendo em vista as inúmeras integrações e possibilidades que abre ao setor.

Rocelo Lopes, CEO da Stratum Blockchain Tech, é um dos principais entusiastas do Open Banking entre os empresários de Bitcoin e criptomoedas e destacou que o sistema pode ser uma oportunidade única que pode significar uma ‘revolução’ para a adoção do Bitcoin no Brasil.

Nubank

Quem também está otimista com o Open Banking é o empresário colombiano David Vélez, CEO do Nubank, um dos principais bancos digitais do Brasil.

Para Vélez o Open Banking vai aumentar a concorrência no sistema financeiro e dar mais oportunidades para os brasileiros escolherem sobre o “destino” de seu dinheiro.

“Entendemos que toda essa linha de open banking vai facilitar bastante, não só porque todas as barreiras vão embora e vai ficar mais fácil para o consumidor escolher o meu produto, mas também porque hoje os bancos têm uma grande vantagem em termos de dados. Eles têm bancos de dados internos, algo que as fintechs não têm, o que nos deixa em desvantagem”, disse em entrevista a Revista Veja.

Ainda segundo Vélez, o compartilhamento de dados que será proporcionado pelo Open Banking também deve diminuir a taxa de juros em empréstimos e outras operações financeiras no país.

“Parte disso explica porque a taxa de juros não cai tanto como deveria. Na mesma linha do open banking, a Lei do Cadastro Positivo, que foi uma regulamentação que passou no ano passado, também irá ajudar. Agora, o consumidor vai conseguir migrar todos seus dados e mostrar que seu comportamento em relação ao risco é bom, de que ele é um bom pagador etc. Isso vai fazer com que ele consiga acesso a empréstimos com taxa de juros mais baixas” declarou.

O que é Open Banking?

Open Banking é um sistema que, por meio de regras, permite que as empresas participantes acessem dados de clientes, com autorização explícita, ou seja, caso o Facebook integre o sistema no Brasil você poderá enviar pagamentos pelo aplicativo que serão descontados diretamente da sua conta bancária.

O Open Banking parte do princípio de que os dados dos usuários pertencem a eles e não as instituições.

Neste quesito há uma discussão entre os bancos e o Banco Central sobre quais e como os dados devem ser compartilhados além da política da reciprocidade, ou seja, já que os bancos vão compartilhar dados dos seus clientes as fintechs também devem compartilhar os dados dos usuários, assim como as bigtechs, como Facebook, Google. Amazon e outras que integrarem o sistema.

Vou ter todos meus dados expostos?

Não. No Open Banking determinados dados serão compartilhados entre os agentes participantes do sistema respeitando as políticas de LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Ainda não está definido quais dados serão compartilhados e como.

Mas o comunicado 33.455 que estabelece a implantação do Open Banking definiu que até o final do ano, por meio de consultas públicas, o Bacen apresentará as minutas normativas e receberá sugestões das principais entidades do setor financeiro, entre as quais a FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos), a ABFintechs e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) para a definição destes padrões.

Os requisitos estabelecidos pelo Banco Central indicam que deverão ser compartilhadas, inicialmente, as seguintes informações e serviços:
I – produtos e serviços oferecidos pelas instituições participantes (localização de pontos de atendimento, características de produtos, termos e condições contratuais e custos financeiros, entre outros);
II – dados cadastrais dos clientes (nome, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, filiação, endereço, entre outros);
III – dados transacionais dos clientes (dados relativos a contas de depósito, a operações de crédito, a demais produtos e serviços contratados pelos clientes, entre outros); e
IV – serviços de pagamento (inicialização de pagamento, transferências de fundos, pagamentos de produtos e serviços, entre outros).

Como os dados serão compartilhados?

O compartilhamento ocorre por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações, em português), que permitem ao cliente visualizar, no aplicativo de banco, todas as contas, investimentos, serviços e produtos contratados que tenha, tanto do próprio banco, como em fintechs devidamente autorizadas a ter o espaço na plataforma. 

Um exemplo disso é a exchange Mercado Bitcoin e o Banco Plural, que fornece um sistema de API para a exchange é por meio dele que a exchange reconhece os depósitos dos seus clientes e também faz a TED para seus usuários.

Quando você informa o MB que está fazendo um depósito ele, por meio de API, consulta a conta e recebe a confirmação do depósito e então credita o valor na plataforma. 

Embora não trabalhe com empresas de criptomoedas, o Banco Rendimento também possui um conjunto robusto de APIs que permitem consulta e gerenciamento de contas. No Rendimento inclusive este conjunto já é chamado de Open Banking.

Quando o Open Banking vai começar no Brasil?

Segundo o Banco Central do Brasil, o Open Banking será implementada de forma faseada, iniciando em 30 de novembro de 2020 e concluindo em outubro de 2021, com base nas seguintes fases:

Fase I: acesso ao público a dados de instituições participantes do Open Banking sobre canais de atendimento e produtos e serviços relacionados com contas de depósito à vista ou de poupança, contas de pagamento ou operações de crédito;

Fase II: compartilhamento entre instituições participantes de informações de cadastro de clientes e de representantes, bem como de dados de transações dos clientes acerca dos produtos e serviços relacionados na Fase I;

Fase III: compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento entre instituições participantes, bem como do do serviço de encaminhamento de proposta de operação crédito entre instituição financeiras e correspondentes no País eventualmente contratados para essa finalidade; e

Fase IV: expansão do escopo de dados para abranger, entre outros, operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta, tanto no que diz aos dados acessíveis ao público quanto aos dados de transações compartilhados entre instituições participantes.

Segundo o BC, a nova regulamentação permite, desde que haja prévio consentimento do cliente, o compartilhamento padronizado de dados e serviços por meio de abertura e integração de sistemas, por instituições financeiras, instituições de pagamento e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central.

“O Open Banking visa permitir a integração de serviços financeiros às diferentes jornadas digitais dos clientes e reduzir a assimetria de informações entre os prestadores de serviços financeiros, favorecendo assim o surgimento de novos modelos de negócios e de novas formas de relacionamento entre instituições e entre estas e seus clientes e parceiros. Nesse contexto, são exemplos de novos serviços que podem ser ofertados: comparadores de produtos e serviços financeiros, de serviços de aconselhamento financeiro, de gestão financeira e de iniciação de transação de pagamento em um ambiente mais familiar e conveniente para os consumidores”

Fim do dinheiro? Digitalização da economia?

Além do Open Banking, em novembro o Banco Central também pretende implementar o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, que, entre outros, pode ser responsável por acabar com as operações de TED e DOC no país.

Além disso, o PIX também é parte da estratégia do BC para a digitalização da economia, tanto que o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, declarou que o PIX é uma resposta do Bacen ao desenvolvimento da economia digital assim como são o Bitcoincriptomoedas e moedas digitais,

Eu acho que é um dos projetos mais importantes que nós temos esse ano. O PIX veio, na verdade, de uma necessidade, de uma demanda que as pessoas têm em geral, e tem sido bastante discutido entre os bancos centrais. O mundo demanda um instrumento de pagamento que seja ao mesmo tempo barato, rápido, transparente e seguro. Se nós pensarmos o que tem acontecido em termos de criação de moeda digital, criptomoedas, ativos criptografados, eles vêm da necessidade de ter esse instrumento, com essas características, barato, rápido, transparente e seguro” destacou Campos Neto.

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