‘No Brasil, pirâmide financeira é negócio, tem até investidor-anjo’ revelam investigados pelo MP

O número crescente de empresas acusadas de atuar como pirâmides financeiras no Brasil chama a atenção. O que nem todo mundo sabe, é que esse tipo de golpe, que deixa milhares de pessoas com prejuízos gigantescos é também um mercado, um negócio programado, com investidores, departamento de RH e reuniões para planejar as ações.

As revelações exclusivas foram feitas ao Cointelegraph por duas pessoas que respondem a processos no Ministério Público e foram inclusive alvo de Operações da Polícia Federal por organizar e promover golpes com Bitcoin no Brasil.

Investidor-anjo de pirâmide

Segundo as fontes ouvidas pelo Cointelegraph, assim como todo negócio a organização de pirâmides financeiras não é um “negócio” simples.

“Vocês da imprensa não sabem de nada. Acreditam que o presidente da empresa reúne umas pessoas num churrasco e fala ‘vamos montar esse golpe aqui e ficar bilionários’, pura inocência”, revelou uma das fontes que responde judicialmente por promover empresa acusada de pirâmide financeira de Bitcoin.

Assim, a fonte revelou que há uma “verdadeira máfia investidores-anjo” focados especificamente em empresas que atuam como pirâmides financeiras.

De acordo os investigados, são esse investidores que possibilitam os golpes, fornecendo o dinheiro inicial para a estruturação da empresa, campanhas de marketing e contratação de lideranças.

“Dá onde você acha que vem o dinheiro pro golpe começar… Propaganda nas redes sociais, sistema, pagar as lideranças.. marketing… tudo isso custa muito dinheiro”.

Desta forma, segundo ele, os investidores-anjo de pirâmides fazem os aportes iniciais no golpe e atuam até como conselheiros.

Eles, entretanto, nunca aparecem em nada vinculado à empresa e são os primeiros a receber o retorno das ações.

“É tudo negociado e a primeira grana que entra sempre é do investidor anjo que recebe até o valor combinado independente de como a pirâmide vai se comportar depois. Ou seja se o combinado foi investir R$ 1 milhão e receber R$ 3 milhões, o primeiro a receber é o investidor anjo, depois ele nem quer saber se o negócio vai para frente ou não. Só quer o combinado”.

‘Negócio’ multinacional

Ainda segundo as fontes ouvidas pelo Cointelegraph, o investidor-anjo já sabe que em algum momento o golpe será descoberto e que isso pode envolver operações policiais.

“Eles não querem ‘sujar as mãos’, então investem, pegam o combinado e pronto. Eles sempre sabem que tudo pode acabar em polícia e não querem envolvimento direto, assim, continuam a financiar outros golpes e nunca são descobertos.” revelou.

Segundo a fonte, mesmo depois de ser alvo de uma Operação da Polícia Federal e ter a empresa que participava desarticulada pelas autoridades ele ainda recebe propostas de montar novas empresas.

“Isso não para, e não vai parar nunca. Os caras montam pirâmide no Brasil, no Paraguai, no Congo, na África do Sul, em todo lugar. Eles só querem um cara para tocar o negócio e ser o ‘testa-de-ferro’. Te dão tudo: grana, escritório, carro, passagens, tudo. Você só tem que montar o golpe, fazer ele rodar, pagar eles e pode ficar com o resto. Porém, quem vai preso é você. Para eles é risco zero e retorno certo”, disse.

A fonte enviou prints de conversas para o Cointelegraph e neles havia articulação de pirâmides na China, Vietnam, Singapura, países da África Central e América do Sul.

“Todo dia eu recebo pelo menos um convite para montar um golpe ou ser líder em outro. Tem golpe de tudo, energia, diamante, Bitcoin, crédito do governo, moeda do zimbabwe, papéis do príncipe de sei la onde, petroleo… tudo para enganar o povo e tudo com patrocínio.”

Rede de golpistas

Ainda segundo as fontes, há também uma rede de lideranças que são recrutadas após seleção rigoroso, como se uma empresa legalizada buscasse alguém com perfil de alto executivo.

“Toda liderança recebe para divulgar o golpe. Não tem inocente nesse jogo não. O cara sabe desde o início que é golpe e que vai cair. Mas eles também sempre ficam impunes, sempre quem cai são os articulares, agora as lideranças, elas saem de um e entram em outro golpe e sempre convidam mais e mais pessoas”, disse uma das fontes.

As negociações, além de um valor para divulgar o golpe, supostamente envolvem carros, viagens e outros “benefícios”.

“Quando eles começam a achar que a coisa vai ruir, eles começam a vender as próprias cotas que tem no sistema e com isso ainda pegam mais dinheiro pois eles sabem que aquilo ali é só um número na tela e nunca ninguém vai ver a cor daquele suposto dinheiro.”

Anonimato

Nenhuma das fontes deixou seu nome ser divulgado, tampouco da empresa da qual faziam parte. Segundo eles, há o temor de retaliação.

“Isso não é brincadeira. É uma máfia mesmo, com muito, muito dinheiro e influência. Você nem imagina os contatos, as conexões que estes investidores e estas redes têm. Cara, aprende uma coisa, onde tem dinheiro, tem poder, onde tem poder tem corrupção e onde tem corrupção tem gente que topa fazer o que for preciso para o negócio caminhar.”

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