Mercado financeiro tem novo alerta de bolha na China e Bitcoin ganha mais força como hedge

O mercado financeiro global recebeu um novo alerta de bolha nesta semana, reafirmando a análise que tem sido feita desde o início de 2021 de que o mundo financeiro pode enfrentar uma grande correção em breve.

Desta vez, quem alertou os investidores foi o presidente do principal regulador bancário da China, Guo Shuquing, que disse que está preocupado com o risco de bolha nos mercados da Europa e dos Estados Unidos.

Segundo ele, os mercados europeu e americano “estão indo na direção oposta de suas economias subjacentes e devem ser corrigidos”.

A análise do regulador levou a uma onda de vendas nos mercados na China. Analistas do Saxo Bank também fizeram declarações públicas, destacando que as ações chinesas têm sido negociadas com um prêmio recorde, depois de passar a última década sendo vendidas com desconto.

Bitcoin se reforça como proteção econômica

As notícias da China corroboram com análises feitas ao redor do mundo desde janeiro. O Bank of America neste ano alertou seus investidores de que o mercado de ações dos EUA vive uma “bolha prestes a estourar”.

Mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu os mercados de ações de que os governos já criaram US$ 12 trilhões “do nada” e têm alimentado a bolha financeira, que inevitavelmente vai estourar.

É curioso lembrar que a narrativa de bolha tem acompanhado a maior criptomoeda, o Bitcoin, desde 2017, quando o estouro das IPOs fez o preço do BTC disparar vertiginosamente e depois corrigir na mesma velocidade.

Agora, aparentemente, a visão dos mercados mais tradicionais sobre o maior criptoativo vem mudando, com muitos investidores recorrendo ao Bitcoin para se proteger da volatilidade financeira e da inflação.

O CEO do Amber Group, Michael Wy, disse em fevereiro que o Bitcoin já “não é mais uma bolha”, apesar de ainda prever boa volatilidade para a criptomoeda.

O banco mais antigo dos Estados Unidos, o BNY Mellon, anunciou também em fevereiro que vai permitir custódia de criptomoedas a seus clientes, em mais um sinal de adoção financeira do Bitcoin.

Já nesta semana, um dos maiores bancos de investimento do mundo, o JPMorgan, recomendou através de seus estrategistas que os investidores aloquem 1% do patrimônio em Bitcoin, como “proteção contra flutuações em classes de ativos tradicionais”.

As estrategistas do JPM Joyce Chang e Amy Ho afirmaram em uma nota aos clientes:

“Em um portfólio de múltiplos ativos, os investidores poderiam adicionar até 1% de sua alocação em criptomoedas, a fim de obter qualquer ganho de eficiência nos retornos ajustados ao risco geral do portfólio.”

A recomendação do JPMorgan reforça que o jogo pode realmente estar virando a favor do Bitcoin. Por anos, analistas financeiros mais conservadores rechaçaram o Bitcoin, inclusive como uma classe de ativos, dizendo que a criptomoeda “não tinha valor intrínseco”, que não serviria para ativo de reserva ou até menos dizendo que o BTC poderia “perder todo seu valor de um dia para o outro”.

Diante da entrada de players de peso e a recomendação de investidores de Wall Street, resta saber quando – e como – a adoção de Bitcoin pelo mercado financeiro tradicional vai ganhar escala. Quem sabe o estouro da bolha não faça os investidores mudarem suas posições sobre o criptomercado – mesmo que seja de forma traumática.

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