Marcel Mafra Bicalho, da Compre Bitcoin, é réu em ação que determinou bloqueio de bens de empresa de criptomoedas

Um esquema com Bitcoin que prometia até 512% de lucro teve bens bloqueados pela Justiça após dois investidores decidirem processar o negócio. A decisão foi divulgada na última quarta-feira (1).

Os proponentes da ação são dois clientes, que entraram na empresa em 2018 e desde então não conseguem receber os cerca de R$ 105 mil investidos na plataforma.

Como réus aparecem na ação judicial o empresário Marcel Mafra Bicalho – que ficou famoso ao aparecer no Fantástico, da TV Globo, como operador da pirâmide financeira com Bitcoin chamada Compre Bitcoin – e Deusiane de Sousa Paula.

Além deles, uma microempresa (ME) com o mesmo nome da investigada também é citada. A determinação judicial aponta que os três acusados terão bens bloqueados para o pagamento da dívida com os dois clientes.

Segundo a denúncia sobre os atrasos, foram feitos dois depósitos no início de 2018 em contas bancárias que pertencem a Deusiane.

No total, o valor repassado para a empresa foi de R$ 105 mil, que deveriam ser investidos em criptomoedas com a promessa de alta rentabilidade nas operações.

Promessa de até 512% de lucro com criptomoedas

Há quase dois anos os usuários que movem o processo esperam para receberem o dinheiro investido de volta. A dívida referente a saques de investimentos em criptomoedas atrasados cita que o negócio pode ser uma “fraude”.

A oferta da empresa consistia em até 512% de lucro, em operações que poderiam se estender por até seis meses.

Durante esse tempo o dinheiro seria usado supostamente em operações com criptomoedas, sendo possível o saque após o “ciclo” estabelecido pelos empresários.

Em outros casos era oferecido 100% de lucro, em investimentos que duravam 60 dias. Impossibilitados de sacarem o dinheiro investido na empresa, dois investidores decidiram pedir à Justiça o bloqueio de bens em busca de reaver o saldo retido.

“Ocorre que tiveram a notícia de fraude, amplamente divulgada na imprensa brasileira, sem possibilidade de resgate até este momento processual, motivo pelo qual intentam a presente tutela”.

Os investidores firmaram contrato com Marcel Mafra Bicalho, um empresário acusado de cometer fraudes envolvendo investimentos em criptomoedas.

O acusado pode ter movimentado até R$ 1 bilhão com o negócio no Brasil, segundo reportagem do Fantástico sobre Bicalho.

Dinheiro, criptomoeda, carro ou terreno

A decisão judicial mostra que deverá ser bloqueado até R$ 105 mil em contas bancárias dos três nomes citados como réus na ação. Além de dinheiro, a decisão autoriza o bloqueio de carros em nome dos acusados para o pagamento da dívida.

Até mesmo um terreno em Minas Gerais que pertence a Marcel Mafra Bicalho deve ser arrestado para o cumprimento judicial da dívida com os clientes. Eles desejam também encontrar criptomoedas e solicitam informações sobre qualquer saldo em nome dos empresários.

“Expeça-se, por fim, ofício ao Cartório do 2º Registro de Imóveis de Montes Claros/MG, para anotação de existência da presente demanda”.

A ação cita inicialmente a corretora Mercado Bitcoin para enviar informações sobre qualquer saldo em nome dos réus. No entanto, a Justiça determinou que os usuários devem esclarecer quais outras exchanges devem ser peticionadas, além do Mercado Bitcoin, para o arresto de saldos em criptomoedas que pertençam aos réus.

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