Internet cósmica e não Elon Musk pode levar Bitcoin para Lua, Marte e todo o Universo, mas ainda assim em ‘conecção discada’

Quando Elon Musk declara que irá levar a Dogecoin até a Lua ou que irá utilizar a criptomoeda como forma de pagamento em futuras cidades construídas em Marte ele se esquece, ou omite, um ponto importante: a dificuldade de transmissão de dados do espaço com a Terra.

Atualmente a maior parte da transmissão de dados entre missões espaciais e a Terra é feito por meio da Deep Space Network (ou DSN), um complexo de antenas, com 26, 34 e 70 metros de diâmetro, localizadas na Califórnia (EUA), na Espanha e na Austrália. Esta distribuição permite o contato com as sondas 24 horas por dia.

No entanto a DSN é basicamente como uma linha telefônica antiga, cheia de interferências, interrupções, falhas e que ainda permite apenas uma conexão por vez.

“A comunicação entre a Terra e qualquer espaçonave é sempre um desafio complexo, sobretudo em razão das distâncias extremas que estão envolvidas”, explica a agência espacial estadunidense em postagem oficial. “Quando os dados são transmitidos e recebidos através de milhões de milhas de distância, os atrasos, interrupções e potencial perda de dados são significativos.”

Além disso, os nós da Deep Space Network estão todos na Terra. Portanto, as taxas de transmissão de dados de / para espaçonaves e sondas espaciais são severamente restringidas devido às distâncias da Terra.

Portanto, hoje você não poderia pagar, nem em Bitcoin nem em outro sistema, para o Perseverance tirar uma foto em Marte e receber esta foto na sua casa em menos de 10 minutos.

Internet espacial

Para contornar estes e outros desafios na transmissão de dados espacial a NASA lançou em 2018 outro tipo de rede de comunicação espacial, a Delay/Disruption Tolerant Networking (DTN) um protocolo de envio e recebimento de dados semelhante ao IP (Internet Protocol) utilizado na Web.

A DTN tem uma vantagem crucial que é a capacidade de estabelecer a comunicação entre múltiplos nós de rede separados por milhões de quilômetros de distância.

Para dar corpo ao novo protocolo de transmissão, a agência faz uso de três redes formadas por estações em terra e também por vários satélites de retransmissão.

Entre eles estão a Deep Space Network (DSN), a Near Earth Network (NEN) e a Space Network (SN). Ao operarem em conjunto com outros nós terrestres, essas redes formarão a fundação da chamada Solar System Internet (Internet do Sistema Solar).

“Assim como a internet terrestre, a SSI vai oferecer aos usuários plataformas-padrão bem definidas, nas quais será possível construir uma ampla variedade de aplicações por meio de serviços de internet”, explica a referida publicação. “A SSI utilizará a suíte de protocolos Delay/Disruption Tolerant Networking (DTN), que funciona em qualquer cenário, mesmo a longas distâncias em anos-luz com quebras frequentes de conexão onde o padrão convencional de internet (IP) falharia.”, disse a NASA.

Como funciona o DTN: fonte NASA

Emaranhado de redes

Contudo nem mesmo este emaranhado de redes seria suficiente para construir uma internet cósmica com múltiplas conexões simultâneas enviando e recebendo mais de 1 bilhão de dados e transações por segundo, apontam especialistas.

Para isso, pesquisadores como o italiano Claudio Maccone, do SETI, estudam o uso de ondas de rádio em uma lente gravitacional gerada por uma estrela, como o Sol.

Na proposta de Maccone, os sinais de rádio podem ser focalizados pelas lentes gravitacionais criadas pela gravidade do Sol ou de estrelas próximas, como Alpha Centauri e Bernard’s Star.

Quando o espaço é distorcido ao redor das estrelas, a luz que passa perto da mesma região tende a ser submetida ao efeito das lentes gravitacionais. Isso talvez permita que uma onda de rádio seja focalizada, permitindo criar uma conexão entre a Terra e uma nave que estrela do lado oposto da estrela que criou a lente gravitacional.

Essa conexão, por sua vez, poderia permitir uma “internet interestelar”, de acordo com o artigo publicado por Maccone.

Porém, mesmo este estudo está longe de permitir uma internet espacial rápida já que a taxa de dados em uma transmissão desse tipo, segundo os cálculos demonstrados pelo pesquisador, poderia ser de alguns kilobytes/segundo, algo próximo à velocidade de conexão que era fornecida pela internet discada na década de 1990.

Portanto, ainda que Elon Musk leve Bitcoin e Dogecoin para a Lua eles serão, neste momento, só mais um tripulante da nave e não uma rede de pagamentos interplanetária.

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