Exclusivo: “Eu cometi erros administrativos”, diz Claudio Oliveira do GBB dizendo já negociar 1 mil BTC nas novas plataformas

O ano de 2020 começou agitado no mercado de criptomoedas do Brasil e enquanto o Bitcoin em janeiro registrava valorização acima de 30% uma notícia pegou de surpresa o mercado de criptoativos no Brasil, a ‘volta’ do Grupo Bitcoin Banco.

Com o anúncio da retomada, ‘novos velhos’ problemas surgiram: processos judiciais, acusações nas redes sociais, ataques hackers e os famosos áudios de Cláudio Oliveira voltaram a circular nas redes atacando principalmente a imprensa por dizer, segundo ele, inverdades sobre o GBB.

Em uma entrevista exclusiva concedida ao Cointelegraph, Cláudio Oliveira, controlador do GBB, revelou pela primeira vez que errou e que seus erros administrativos ajudaram a levar o Grupo a maior crise da sua história e a deixar de honrar os saques de seus clientes.

Oliveira também destacou traições, decepções e medos. Além dos novos projetos que incluem um banco digital, uma criptomoeda própria (a segunda do Grupo), parceria com exchanges internacionais, entre outros, e destacou que já negocia de 600 a 1 mil Bitcoins.

O controlador do GBB garantiu “Todos os clientes vão receber” e reforçou “Se eu fosse um golpista, não estaria no Brasil e não teria ido até a justiça pedir para ela me fiscalizar, como fiz com a Recuperação Judicial”. Confira a entrevista completa

Os saldos ficaram retidos nas plataformas convertidos em bitcoins – a justiça já fez toda a verificação para aprovação da RJ – e serão pagos de acordo com o Plano de Recuperação Judicial aprovado em Assembleia Geral de Credores. 

Eu não entendo porque tantas dúvidas se vamos pagar ou não os clientes. Se eu não quisesse pagar ninguém eu tinha ido embora, não tinha proposto uma Recuperação Judicial no qual a Justiça me obriga a pagar todo mundo. Se eu não quisesse pagar ninguém eu teria ficado no Brasil? Teria continuado na empresa? Teria buscado uma solução na justiça? Enquanto vocês levantam dúvidas e ficam noticiando fofoca, aqui no GBB a gente segue trabalhando para pagar os clientes.

O plano de pagamento não foi feito por mim. Esse plano é feito por especialistas. São empresas especialistas. É a direção da empresa juntamente com contador, auditores e tudo. Monta uma estrutura para a apresentação desse plano de recuperação. Ele não é apresentado pelo Cláudio Oliveira, ele é apresentado pelo grupo com o apoio de várias outras empresas que são especialistas nesse campo. Inclusive, da forma que a primeira versão desse plano foi elaborada, 60% dos clientes já serão pagos integralmente em até 90 dias.

Veja bem, o que é que me trouxe de aprendizado isso daí? Olha, eu acho que foi um dos maiores da minha vida. Eu consegui, vamos dizer assim, amadurecer mais no mundo da criptomoeda, conhecer mais a cabeça do meu cliente. Ver bem profundamente qual é a fragilidade desse mercado e aprender com os erros, porque eu também errei, não é? Erros administrativos. 

Ver as pessoas que se afastaram, pessoas que batiam nas minhas costas. Isso por um outro lado eu não vejo como negativo, eu vejo como sendo positivo. É quando você consegue retirar do seu lado aquelas pessoas que você não pode contar. Porque eu tenho um lema comigo na minha vida, que você só pode contar com quem está presente. Quem não está presente você não pode contar. Então, hoje eu sei realmente quem são as pessoas que ficaram do meu lado.

Recebi ameaças, via mensanges, inclusive de pessoas da imprensa, que eram nossos clientes e que falavam que se eu não pagasse eles, veja, somente eles e não todo mundo, iam colocar matéria no site, no portal, inclusive com vocês (Cointelegraph). Cheguei a receber uma ameaça de uma pessoa, que era jornalista de outro portal e que ele dizia “Paga a banca ou vou colocar o Cointelegraph no seu pé”. Por ai você vê.

Esses problemas me trouxeram bastante aprendizado (…) Porque perante todos os problemas, eu – e olha que foram grandes, não é? – eu não arredei o pé do meu escritório, eu não fugi, eu não larguei mão. E eu insisti, e graças a Deus a gente está retomando o fôlego, a gente está novamente, vamos dizer, no jogo, não é?

Existe um protocolo, todo um ritual na recuperação judicial. Você tem que apresentar inúmeras documentações. A justiça fez uma revisão nas contas antes de autorizar qualquer coisa. Determinou um administrador judicial que vem analisar tudo com a equipe dele e dizer se aceita ou não. Tudo passa pelo sistema de análise profunda da empresa. Quando a justiça diz “sim, vou dar recuperação judicial”, é porque ela tem plena certeza que a empresa não está envolvida em nenhum tipo de problema, em nenhum tipo de fraude e que tem possibilidades de retomar a atividade.

O resto que falam é invenção. Inventam coisas para dizer que sou isso e aquilo, no entanto, enquanto o povo fala um monte de coisa sem sentido, eu continuo trabalhando e buscando, junto com a justiça, pagar todo mundo. E vamos pagar tudo mundo. Muitas vezes as pessoas acabam criando um folclore em cima do GBB e isso não existe.

Qual o problema em retomar as atividades do GBB? Iniciamos um pedido de Recuperação Judicial que foi aprovado, e, nesta RJ o que a justiça diz, “Retome a atividade. Vocês têm que retomar a atividade”. Por quê? Porque junto com o administrador judicial ela olha o desempenho da empresa, vê como está funcionando. E é isso que é uma recuperação, a primeira fase da recuperação judicial é essa, é estancar todo aqueles inúmeros processos, abrir as inscrições para as pessoas apresentarem seus saldos. E paralelamente a empresa tem que voltar ao mercado, começar a trabalhar e mostrar o desenvolvimento para que prove que ela tem condições de se manter no mercado, entendeu? A Zater e a retomada das três empresas, são parte desta estratégia.

Não existe esse negócio de arbitragem infinita institucionalizada, porque a arbitragem infinita a gente tem o dia inteiro e ninguém controla ela. O Bitcoin é uma moeda que é volátil, ela está subindo preço, descendo preço, o dia inteiro. Qualquer pessoa muito experiente e que pega posições de um lado e do outro, ele consegue fazer a arbitragem infinita o dia inteiro, mesmo na queda como na alta, basta ser experiente. Ele vai ganhar dinheiro o dia inteiro. Então hoje nós temos as plataformas funcionando nesse estilo, você compra de um lado, vende do outro, compra do outro, vendo do outro lado. E isso é a proposta da empresa. 

O sistema é ‘igual’ ao antigo mas com uma nova configuração. Hoje nós atuamos com um novo sistema através da Zater. E o que é que é? A porta de entrada hoje no grupo para exchanges é a Zater. Você vai abrir uma carteira, você vai depositar bitcoin na Zater, você vai abrir uma conta e você vai depositar dinheiro na Zater. E logo em seguida você vai dizer aonde você quer que esses saldos estejam e vai operar através das duas plataformas que são interligadas.

Uma das novidades é que a gente baniu o uso de fiat para negociações. A moeda fiat ela fica parada na conta bancária, e as pessoas passam a trabalhar com Zatercoin, que é uma moeda interna. 

A Zatercoin a gente vem trabalhando ela, vem desenvolvendo ela para ser listada em algumas outras exchanges e ela vai se transformar em uma moeda com a sua própria blockchain. Ela será descentralizada, minerável e a mineração dela será feita em um modo de “proof of usability”, ou seja, na medida em que você utiliza a moeda, você vai minerando ela. Não é feita mineração em ASIC. Ela tem um modo de mineração diferente. Além disso, quanto mais usar a moeda, mais terá desconto nas taxas nas plataformas.

Todo o cliente, mesmo aquele que foi cliente da Negocie e que está na recuperação judicial, para que ele possa voltar a operar conosco tem que entrar na Zater, fazer um cadastro uma vez só. Com o cadastro Zater ele pode replicar para todas as outras exchanges e todas as outras empresas que estarão agregadas no grupo. Esse cadastro é um cadastro único replicado nas outras. E o saldo dele da recuperação é tratado na recuperação. Quando ele começa a trabalhar conosco são novos saldos, nova vida e tudo que ficou para o passado ele trata diretamente na recuperação.

Nós vamos lançar agora o nosso OTC. Também vamos lançar o nosso banco digital, que era uma proposta feita no ano passado e que vamos recuperar ela agora. Nós também estamos em contato com a CVM para regularizar a situação dos produtos de investimento em Bitcoin e criptomoedas oferecidos pelo GBB.

Eu respeito muito o trabalho do Mercado Bitcoin. Acho que eles são uma empresa necessária dentro do mercado. Eles vêm mostrando realmente isso que eu falei, que o mercado tradicional e o mercado futuro, que é esse mercado da criptomoeda, eles podem andar de braços dados. E o Grupo Bitcoin Banco também já tem projetos prontos para poder entrar nesse mercado. Mas nós vamos atuar dentro de um outro padrão do mercado financeiro que é trazer uma utilidade para a criptomoeda. 

Em breve vamos anunciar uma série de parcerias inclusive com exchanges internacionais em um produto que estamos lançando que vai permitir a comunicação entre as plataformas. Já estamos testando nas duas exchanges, que é a TemBTC e a NegocieCoins. A ideia é essa, fazer uma fusão para que as pessoas possam ter essa possibilidade, a mobilidade de investimentos, tanto aqui como fora, em uma e várias outras criptomoedas.

Veja bem, me surpreendeu a adesão, me surpreendeu realmente. É algo que eu realmente pensava que ia ser mais devagar. Nós já temos muitos clientes, nós temos muitas contas abertas. E hoje estamos aí cada exchange de um volume de mais ou menos 1.000 bitcoins a 600 Bitcoins negociados. Então eu acho que isso daí para nós foi uma das maiores surpresas, em poucas semanas estar com esse volume. Prova que de um certo lado, até mesmo pelos grupos de Telegram que você acompanhar, que as pessoas estão acreditando e estão apostando novamente no Grupo Bitcoin Banco.

A primeira coisa eu vou te falar um negócio que foi uma das coisas que teve uma repercussão muito grande, foi a questão da polícia ter vindo aqui. Eu vou te explicar o que é que aconteceu. No dia que a polícia esteve aqui o advogado que estava cumprindo esse mandato do juiz ele tirou fotos dos meus seguranças ali na porta e foi lá e disse, “eu não vou entrar ali dentro, porque eu tenho medo, porque eles todos estão armados, eles podem reagir”.

Então aquilo foi programado, porque imediatamente ele chamou a televisão para filmar. Ele queria mídia. Então o que é que eles vieram aqui? Eles vieram simplesmente entregar um mandato, só isso. Só isso que eles vieram fazer, não vieram fazer mais nada. Entregaram o mandato e trouxeram todo aquele aparato policial, mandaram filmar e fizeram aquele estardalhaço todo. Isso era ótimo para eles no processo para falar, “olha, senhor juiz, como é que estão as coisas”. Então isso foi o que eu enfrentei muito aqui, era, vamos dizer, quebrava um dedo, mas eles falavam que o acidente era de avião. 

Mas o que mais me abalou foram duas coisas. A primeira foi esse inescrupuloso que sequestrou a minha mãe, que não é nosso cliente, para que você saiba, ele não é nosso cliente. É mentira que ele era cliente, ele nunca foi cliente. Ele sequestrou a minha mãe, isso foi realmente uma coisa que me marcou e que me marca até hoje. E o segundo momento foi quando houve uma fofoca estúpida de que eu estaria indo embora para a Suíça. Eu nunca pretendi ir para a Suíça e eu nunca abandonaria o meu negócio no meio da crise para ir para a Suíça. 

Eu nunca tive nenhum negócio com a BWA ou com o Paulo. A BWA nunca foi cliente do GBB. O Paulo era, mas não era nosso principal cliente como você mesmo pode constatar. Havia outras pessoas que tinham mais dinheiro conosco do que ele. O Paulo era apenas um cliente nosso e, devido o volume que negociava, tinha um tratamento especial, como todos os demais clientes ‘VIP’. Só isso.

Minha intenção é, fazer com que a criptomoeda supere todos esses bafafás que saem no dia a dia, essas coisas. E que a gente possa ter um grupo sólido, um mercado sólido, onde as pessoas sentem e falem assim, “olha, hoje com tudo que aconteceu no mercado de criptomoeda no Brasil, hoje é seguro a gente tentar investir um pouco aqui, passar um pouco do nosso dinheiro – vamos dizer assim – que está de reserva, tentar ganhar um pouco em cima da criptomoeda”. É esse o meu trabalho e é isso que eu venho provando. 

E estamos indo para a frente. E acredito que dentre em breve tudo isso vai ser dito pelas pessoas, não da forma, “olha, o Grupo Bitcoin Banco teve problema”, e sim, “veja, lembra do problema do Grupo Bitcoin Banco? Quem diria, hein? Hoje olha como eles estão”. E eu vou tentar novamente fazer o que eu tentei no começo, é levar o nome do Brasil para um dos mercados mais respeitáveis da criptomoeda fora daqui, não é? Eu quero botar o nome do Brasil como um dos primeiros no mundo em negociação de criptomoedas, mostrar que o país ele está realmente pronto. Porque eu acredito que o Brasil está pronto para a criptomoeda. O povo brasileiro ele é fantástico, ele se adapta muito rápido às coisas. 

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