Entre manifestos e acusações de racismo, Nubank e Coinbase tentam explicar polêmicas

As manifestações políticas – ou a falta delas – foram para o centro dos debates nesta semana, tanto no mercado brasileiro – depois de declaração racista de cofundadora do Nubank – quanto no mercado de criptomoedas – com o CEO da Coinbase causando a ira da comunidade e de seus funcionários.

A reação do público às posições de ambas as empresas foi dura, mas a reação de cada uma das fintechs foi muito diferente.

Declaração racista e carta de desculpas

A fintech brasileira Nubank começou a semana cercada de críticas e revolta nas redes sociais. Em participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, a cofundadora do banco digital Cristiana Junqueira respondeu a uma das perguntas do programa sobre o programa de capacitação do Nubank e iniciativas para fomentar oportunidades a todos em seu quadro de funcionários. Em sua resposta, Junqueira alegou não reservar mais espaço para a diversidade pois “não dá pra nivelar por baixo”.

A resposta feroz das redes social veio nos dias seguintes, transformando a fintech, que tem entre seu público principal os jovens, de “queridinha” a “cancelada”: a hashtag #nubankracista foi usada por uma série de usuários do Twitter.

A resposta tímida de Cristina na quarta-feira não foi suficiente para apagar as manchas do racismo na marca da empresa. Ela disse na quarta-feira:

“Queria pedir desculpas, acho que não me expressei da melhor maneira. É superimportante a gente ter uma comunicação clara. Queria agradecer todo o feedback que está vindo, a repercussão que isso está tendo, porque todo mundo tem o que aprender.”

O blog da fintech então postou um texto falando sobre diversidade racial, reconhecendo que a empresa “não faz o bastante” para diminuir a desigualdade de oportunidades entre raças e gêneros.

Com a polêmica ainda viva, neste domingo a fintech publicou uma carta assinada pelos seus cofundadores, Cristina Junqueira, Edward Wible e David Vélez. Desta vez, os fundadores reconhecem seus erros coletivamente e promete “ouvir mais e agir mais”, já que as atuais iniciativas “são pouco”:

“Erramos. A diversidade étnico-racial é um desafio muito maior e mais complexo do que imaginávamos. […] O Brasil tem excelentes profissionais negros em diferentes carreiras. No Nubank, temos um enorme orgulho da nossa comunidade e pedimos desculpas aos Nubankers negros, ao movimento negro e aos grupos sub-representados por não termos feito mais. O Nubank precisa ouvir para se transformar. Precisamos de muito mais ações concretas. Queremos aprender sobre raça para liderar nossos times nesta transformação. Como fundadores, nos comprometemos a ouvir mais e a agir mais.”

CEO da Coinbase ‘proíbe’ política, causa revolta e quebra a própria regra

Nas últimas semanas, uma das exchanges mais importantes do mundo, a Coinbase, também se viu no centro de uma grande polêmica sobre política e racismo.

O CEO da exchange, Brian Armstrong, publicou uma carta em setembro – em plena ebulição de protestos contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos – no site da empresa cobrando uma postura “apolítica” de seus funcionários, que ele classifica de “distrações”, e ainda disse que aqueles que não concordarem com o teor da carta poderiam deixar a empresa.

A reação foi imediata, dentro e fora da empresa. Desde a publicação da carta, 60 funcionários, ou 5% da força de trabalho da exchange, abandonaram a Coinbase em resposta à postura de Armstrong.

O CEO do Twitter, Jack Dorsey, também atacou Armstrong e defendeu o Bitcoin e o mercado cripto como “ativismo financeiro”:

“O Bitcoin (também conhecido como criptomoeda) é ativismo direto contra um sistema financeiro não verificável e excludente que afeta negativamente grande parte da nossa sociedade. É importante, *pelo menos*, reconhecer e se conectar com os problemas sociais relacionados a isso que seus clientes enfrentam diariamente. Isso deixa as pessoas para trás”

Mais tarde, Armstrong surgiu em um áudio vazado dizendo-se injustiçado e alegando que uma “maioria silenciosa” apoiou sua postura na empresa.

O fundador da Cardano e da Ethereum, Charles Hoskinson, também bateu de frente com Armstrong. Ao explicar que ele poderia até concordar com uma postura “apolítica” da empresa, isso não não deveria importar para seus funcionários, que devem ser livres para serem o que quiserem. Hoskinson disse:

“Eu não me importo se você trabalha para mim como contratada se você está espumando pela boca, comunista, só louco e atordoado nos olhos – camisa Che Guevara e tudo. Ou se você é um libertário hardcore, cripto-anarquista – não importa para mim. ”

Neste domingo, a postura “apolítica” pregada por Brian Armstrong pode ter finalmente mostrado sua verdadeira face. Durante o seu horário de expediente na Coinbase, ele reproduziu um tweet lamentável que vendia mentiras contra o presidenciável estadunidense Joe Biden, promovendo uma fake news envolvendo um filho do candidato que morreu de câncer. A legenda de Armstrong para o tweet era: “Post épico”.

Para os que pregam posturas “apolíticas” e “isenção” dentro e fora do Brasil, a única postura “neutra” possível é aquela que não contesta nenhuma posição de privilégio ou de poder.

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