Casal vende a própria casa para investir na Unick Forex e agora sofre com falta de dinheiro e depressão

Um casal do Rio Grande do Sul, da cidade de Cachoeirinha, revelou ao UOL que vendeu a própria casa, no valor de cerca de R$ 130 mil para investir na Unick Forex, empresa acusada de aplicar um golpe bilionário no Brasil, por meio da promessa de rendimentos garantidos de até 4% ao dia em supostos investimentos no mercado Forex com Bitcoin. A empresa foi fechada pela Polícia Federal e seus líderes presos, atualmente em prisão domiciliar.

Segundo a reportagem o casal foi abordado por um amigo de infância que investia na empresa e proclamou as ‘maravilhas’ da Unick. Empolgados investiram na Unick no início de 2019. Inicialmente, aplicaram R$ 7 mil e durante 6 meses, receberam cerca de R$ 2400 por mês, que seriam provenientes do suposto lucro da empresa nas operações.

Como já haviam recebido mensalmente o dinheiro prometido ficaram impressionados com a empresa e resolveram investir um valor maior, já de olho na rentabilidade futura. E, desta forma, colocaram a venda a própria casa que, ao ser vendida, teve parte de seu valor aplicado na empresa acusada de pirâmide financeira.

“Ficamos tão empolgados com o resultado positivo que vendemos nossa casa por R$ 130 mil, investimos cerca de R$ 57 mil na empresa e fomos morar de aluguel. Pelas nossas contas, iríamos receber cerca de R$ 15 mil por mês ao longo de seis meses”, destacou Letícia Ferreira, a mulher do casal (o marido não quis revelar o nome).

Porém, o casal não conseguiu reaver seu investimento e tampouco os cerca de R$ 15 mil mensais. Sem casa, morando de aluguel, o casal precisou redobrar a rotina de trabalho para arcar com os custos da ‘nova vida’ sem uma casa própria.

O marido que é ajudante em uma transportadora começou a trabalhar de motorista de aplicativo nas horas vagas. Mas, mesmo assim, o dinheiro não deu, as contas ficaram altas e valor da casa que não tinha sido investido na Unick acabou sendo usado para pagar dívidas. 

Resultado, todo o dinheiro da venda da casa acabou sendo usado e, mesmo assim, não foi suficiente para manter o aluguel obrigando o casal a procurar um lugar “mais em conta”. Hoje, Letícia e o marido vivem em um apartamento menor, pagando um aluguel de R$ 700.

Porém a crise econômica causada pelo avanço do coronavírus no país e as medidas de isolamento social agravaram a delicada situação financeira do casal e reduziram ainda mais sua renda. Letícia conta que antes do coronavírus ganhava cerca de R$ 300 por dia e hoje, apenas R$ 75 e trabalhando de domingo a domingo, mais de 10 horas por dia.

“Eu tenho medo da pandemia, e me cuido bastante, mas não posso me dar ao luxo de parar de trabalhar, pois tenho contas”, diz a mulher que é diabética e portanto dentro do grupo de risco associado ao vírus.

Além de perder a casa e de viver uma nova vida envolta em uma situação financeira desfavorável Letícia revelou a reportagem que sua vida virou o caos e que já teve depressão e uma série de doenças por causa do investimento realizado na empresa que ao invés de lucro, consumiu o lar da família.

 “Além de todo perrengue financeiro, tive depressão, síndrome do pânico, fibromialgia, e há dias em que nem consigo caminhar”, disse.

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