Bitcoin deve ganhar mais privacidade com implementação da tecnologia P2EP

A implementação da nova tecnologia P2EP pelo serviço de processamento de pagamentos em criptomoedas BTCPay Server deve trazer mais privacidade para a rede Bitcoin.

Durante muitos anos cirptomoedas focadas na privacidade como o Monero, Zcash e Dash sempre foram a primeira opção para quem quer transacionar ativos digitais sem deixar nenhum rastro. 

Dan Held, diretor de desenvolvimento de negócios da exchange Kraken, declarou em uma recente entrevista:

“Moedas de privacidade também são chamadas de moedas de aplicativos. Monero e Zcash são voltados à privacidade, mas se seus recursos forem valorizados e amplamente utilizados, veremos isso nos dados da cadeia. Mas quando olhamos para a DarkNet, o Bitcoin ainda representa 85% do volume da DarkNet, o que é incrível porque o Bitcoin não é tão privado quanto eles.”

O próprio criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, aconselhou o uso de soluções alternativas, como o serviço de VPN Tor, quando se quer transacionar o ativo digital sem deixar rastros. Em um post no BitcoinTalk ele escreveu:

“Se você enviar Bitcoin por IP, o destinatário o verá porque você se conecta ao IP deles. Você pode usar o TOR para mascarar isso. Você pode usar o TOR se não quiser que ninguém saiba que você está usando o Bitcoin. Se você é sério sobre privacidade, o TOR é uma precaução aconselhável.”

Embora não haja muitas novidades para a privacidade na cadeia principal do Bitcoin, as chamadas soluções de segunda camada estão fornecendo soluções que podem fazer a diferença.

Para alterar o software principal que rege a rede Bitcoin, é preciso que 90% da rede concorde com a mudança. Isso faz com que qualquer alteração na cadeia principal para modificar ou melhorar a rede seja difícil de ser implementada. 

Com isso, trabalhar com soluções em uma segunda camada parece ser a melhor maneira de “melhorar” o Bitcoin. A Lightning Network, por exemplo, é a melhor solução de segunda camada para melhorar a escalabilidade disponível no momento.

Um impulso à privacidade do Bitcoin é outra tecnologia de segunda camada – a atualização recente do BTCPay Server, que ativou o P2EP [Pay to End Point] para transações. 

Assim como o Coinjoin, o P2EP é uma maneira de anonimizar transações, e a atualização recente permite isso no lado do faturamento do processamento de pagamentos. Esta atualização é importante, pois não faz alterações no nível do protocolo do Bitcoin.

Embora o P2EP exista desde 2018, a tecnologia não foi adotada por usuários em larga escala. Isso pode mudar com a nova implementação pelo BTCPay Server em conjunto com a Blockstream.

Um post da Blockstream dizia:

“As transações P2EP são especiais porque o remetente e o destinatário do pagamento coordenam a criação da transação Bitcoin (semelhante ao método originalmente usado por Satoshi Nakamoto para pagamentos em Bitcoin). Ao contrário de uma transação Bitcoin comum, onde apenas o remetente gasta da carteira, uma transação P2EP empacota entradas do remetente e do destinatário, com o destinatário enviando bitcoins extras para si.”

Além do P2EP, existem algumas atualizações interessantes que chegarão à rede Bitcoin em 2020, especialmente com a introdução do Schnorr Signatures. Essa atualização não apenas melhora a privacidade, mas também ajuda no problema de escalabilidade da rede.

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